Consumidores planejam investir em presentes de maior valor e experiências presenciais em 2026

O amor em Mato Grosso do Sul ficou, literalmente, mais caro. De acordo com a Pesquisa de Intenção de Consumo para o Dia dos Namorados 2026, realizada pelo IPF-MS e Sebrae, o gasto médio total, entre presentes e comemorações, subiu para R$ 543,47.

A movimentação financeira estimada para o Estado é de R$ 356,79 milhões, uma retração de 12% em comparação a 2025. O recuo é explicado pela queda na base de consumidores: neste ano, 44,33% dos entrevistados pretendem presentear e 42,78% planejam comemorar a data.

Mesmo com menos pessoas dispostas a consumir, quem vai às compras pretende gastar mais. A maior parte dos consumidores concentra os gastos em faixas de até R$ 300, tanto para presentes quanto para comemorações, indicando maior cautela nas decisões de compra.

As compras presenciais seguem predominando entre os sul-mato-grossenses. A pesquisa aponta que 75,70% dos consumidores pretendem comprar em lojas físicas, principalmente no comércio central das cidades, preferência de 66,10% dos entrevistados.

O analista-técnico do Sebrae/MS, Paulo Maciel, afirma que o levantamento mostra a força do varejo tradicional, mas também aponta espaço para integração com os canais digitais.
“A pesquisa deixou muito claro que o consumidor quer ir até a loja. Isso mostra a importância de investir em vitrine, atendimento e estoque preparado para receber esse público”, afirma Maciel.

‘Mais em conta’
Na prática das lojas, porém, a procura por produtos mais sofisticados ainda acontece de forma pontual. A consultora Gleice Oliveira afirma que os consumidores continuam priorizando opções intermediárias, mesmo com o aumento do gasto médio apontado pela pesquisa.

“Tem uns casos mais específicos, mas, no geral, eles procuram algo mais em conta”, relata. Segundo ela, muitos clientes preferem montar combinações personalizadas de perfumes, sabonetes e cosméticos para adaptar o presente ao orçamento disponível”.

Perfumes e cosméticos lideram as intenções de compra no Estado, seguidos por roupas e calçados. Benefícios no pagamento à vista também pesam na decisão dos consumidores: 64,13% afirmam priorizar descontos ou vantagens para compras pagas em dinheiro ou no débito.

A economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira, observa que, embora o volume total de vendas tenha recuado, há uma “maior racionalidade” nas decisões de consumo. Segundo ela, o aumento do gasto médio indica disposição para investir em itens de maior valor agregado ou em experiências mais completas.

Compra começa pelo ‘zap’
Além do atendimento presencial, o consumidor também tem recorrido aos canais digitais antes de fechar a compra. Gleice afirma que muitos clientes pesquisam produtos pelo Instagram, WhatsApp ou loja virtual, mas ainda procuram a loja física em busca de orientação.

“Quando o cliente entra na loja, ele quer consultoria mesmo. Muitas vezes ele ainda não sabe exatamente o que quer comprar”, afirma.O pós-venda e o contato pelo WhatsApp, segundo a consultora, têm sido estratégias importantes para fidelizar consumidores.

Movimento milionário
As comemorações devem movimentar sozinhas R$ 164,66 milhões em Mato Grosso do Sul, com gasto médio de R$ 255,62. Restaurantes, bares e lanchonetes concentram 62,27% das intenções de celebração.

Campo Grande continua sendo o principal motor econômico da data, com previsão de R$ 134 milhões em consumo total. Já o maior gasto médio individual com presentes virá do interior: em Naviraí, o valor chega a R$ 364,43, seguido por Dourados, com R$ 327,73.

O público feminino é maioria entre os consumidores (51,37%), concentrado principalmente na faixa entre 25 e 44 anos. Em relação à renda, 40% das famílias recebem entre um e três salários mínimos. A principal fonte de renda dos entrevistados é o emprego com carteira assinada, citado por 44,53%, seguido pelo trabalho autônomo.

A pesquisa ouviu 2.515 pessoas entre os dias 18 e 27 de abril de 2026 em nove municípios de Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Por Djeneffer Cordoba

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