
Hospital enfrenta déficit mensal de R$ 180 milhões e aguarda assinatura de acordo que prevê acréscimo de R$ 4,5 milhões em recursos públicos
A Santa Casa de Campo Grande acumula R$810 milhões em dívidas e enfrenta um déficit mensal de R$180 milhões, segundo o diretor-presidente da instituição, Luiz Alberto Kanamura. Para tentar manter o hospital em funcionamento, a gestão negocia um novo contrato com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande, com previsão de acréscimo de R$4,5 milhões em recursos públicos.

Em coletiva de imprensa, Kanamura afirmou que as negociações avançaram e que a expectativa é formalizar o contrato na próxima semana. A proposta prevê vigência de até 36 meses, com reajustes anuais, e estabelece um modelo de remuneração que combina valores para cobrir os custos fixos da instituição e pagamentos vinculados à produção de serviços médicos.
“Se tudo que foi compromissado entre o secretário de Saúde do Estado, o secretário do município e eu for cumprido, esse contrato sai na semana que vem”, afirmou o gestor, ao se referir aos entendimentos firmados em reunião com representantes das administrações estadual e municipal, além das procuradorias.
O acordo também prevê uma etapa inicial de reorganização da instituição, com duração de 12 meses. Nesse período, a Santa Casa deverá concentrar esforços nos atendimentos considerados essenciais para a rede pública, enquanto os demais serviços poderão ser reorganizados entre as unidades de saúde do Estado e do município.
Entre as áreas prioritárias citadas por Kanamura estão politrauma, neurocirurgia, neurologia clínica, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e atendimento a queimados. O objetivo é direcionar os recursos às demandas consideradas estratégicas para a assistência hospitalar de Mato Grosso do Sul.
Segundo o diretor-presidente, a instituição precisa de aproximadamente R$37 milhões para manter essas áreas prioritárias em funcionamento, embora tenha ressaltado que o valor, por si só, não resolve todas as dificuldades financeiras.
“É um hospital insolvente. Nós estamos tentando achar saídas para que, primeiro, eu torne possível pagar mensalmente as despesas, para que o fornecedor não tenha problema, o profissional médico não tenha problema e tudo mais”, declarou.
Recursos para insumos e cirurgias
Durante a coletiva, Kanamura também mencionou o convênio de R$4 milhões firmado com o Estado e o município para a compra de materiais e medicamentos.
Segundo o gestor, o convênio foi acertado nos últimos dias e permite à instituição adquirir insumos para manter o hospital abastecido por aproximadamente 15 dias. A formalização do novo contrato, por sua vez, ainda depende da conclusão das tratativas entre as partes.
A disponibilidade de recursos para materiais e medicamentos, entretanto, não garante a retomada imediata das cirurgias eletivas. Kanamura explicou que os procedimentos também dependem de próteses e outros dispositivos médicos específicos, além da disponibilidade das equipes necessárias.
“Não adianta eu falar que estou abrindo a cirurgia congênita a todo vapor se não tenho o material necessário para instalar no paciente que está internado”, afirmou.
O diretor-presidente disse que as urgências e emergências continuam sendo a prioridade e que a retomada das cirurgias eletivas deverá ocorrer conforme a disponibilidade de insumos e a organização da rede estadual e municipal de saúde.
Dívida inclui empréstimos, impostos e FGTS
Dos R$810 milhões em passivos informados pelo gestor, R$273 milhões correspondem a valores negociados com a Caixa Econômica Federal. Outros R$53 milhões a R$57 milhões são referentes a impostos atrasados, enquanto R$42 milhões correspondem ao FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço), que, segundo Kanamura, está sendo pago de forma parcelada.
O diretor-presidente também mencionou despesas com médicos, prestadores de serviços, materiais e dispositivos utilizados em cirurgias. Ele afirmou que a instituição passa por uma auditoria para identificar as obrigações financeiras e avaliar como os pagamentos poderão ser realizados.
Por Biel Gill e Brenda Leitte
