O uso das chamadas canetas emagrecedoras cresce no Brasil impulsionado pela busca por resultados rápidos na perda de peso. No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado desses medicamentos, sem prescrição e acompanhamento profissional, pode trazer riscos à saúde e retardar o diagnóstico de outras condições clínicas.

Segundo Sandra Demétrio Lara, coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Campo Grande, esses medicamentos possuem indicações específicas e não devem ser encarados como uma solução imediata para o emagrecimento.

“Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental que a pessoa passe por uma avaliação clínica, para que sejam considerados seu estado de saúde, histórico médico e reais necessidades”, explica.

De acordo com a especialista, a popularização das canetas nas redes sociais tem contribuído para que jovens e adultos recorram aos medicamentos motivados por padrões estéticos ou promessas de resultados rápidos, muitas vezes sem orientação adequada.

Sandra destaca que a educação em saúde é uma das principais ferramentas para evitar a automedicação e orientar a população sobre os benefícios, limitações e possíveis riscos do tratamento.

“As pessoas precisam compreender que esses medicamentos fazem parte de um tratamento individualizado e que as decisões não devem ser tomadas com base em informações divulgadas por influenciadores ou pessoas sem qualificação”, afirma.

Ela explica que as canetas emagrecedoras foram desenvolvidas para atender situações clínicas específicas e que fatores como índice de massa corporal, doenças pré-existentes, uso de outros medicamentos e histórico do paciente precisam ser avaliados antes da prescrição.

Outro ponto de atenção são os efeitos adversos. Durante o tratamento podem ocorrer náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dores abdominais e desidratação. Caso os sintomas sejam persistentes ou intensos, a recomendação é procurar assistência médica para evitar complicações.

A especialista também ressalta que os medicamentos não substituem hábitos saudáveis. Mesmo quando há indicação clínica, o tratamento deve ser acompanhado de alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e mudanças no estilo de vida.

“Concentrar toda a expectativa apenas no medicamento pode comprometer os resultados e favorecer o reganho de peso após a interrupção do tratamento”, alerta.

O aumento da procura pelas canetas também abriu espaço para a comercialização de produtos falsificados ou vendidos por canais irregulares. Por isso, a recomendação é adquirir os medicamentos exclusivamente em farmácias autorizadas, garantindo a procedência e a segurança do produto.

Sandra chama atenção ainda para outro risco da automedicação: o excesso de peso pode estar relacionado a diferentes problemas de saúde, que precisam ser investigados antes da definição do tratamento. O uso do medicamento por conta própria pode mascarar essas condições e atrasar o diagnóstico.

Para a coordenadora, ampliar o acesso à informação confiável é essencial para que a população compreenda que não existe uma solução única para o emagrecimento.

“Promover educação em saúde significa estimular decisões conscientes e seguras. O acesso à informação de qualidade permite que as pessoas compreendam os benefícios e os riscos de cada tratamento, reduzindo a automedicação e favorecendo escolhas mais responsáveis”, conclui.

Por Michelly Perez

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