Paralisação por atraso em repasses de salário é a segunda do ano, diz sindicato

Funcionários da Santa Casa de Campo Grande iniciaram uma paralisação, nesta terça-feira (9), após o segundo atraso salarial deste ano. Metade do efetivo de trabalhadores participa do protesto em cobrança do pagamento no quinto dia útil do mês.

Enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, além de outros trabalhadores, se reuniram em uma mobilização pedindo: “Salário Já!” e para que mais profissionais também se juntem e participem da assembleia que acontece ainda nesta terça (9) com profissionais e representantes dos sindicatos.

De acordo com Osmar Gussi, presidente do SinteSaúde (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), que participa da mobilização, os profissionais paralisaram em protesto contra o atraso no pagamento do salário referente ao mês de maio. Segundo ele, 50% de todo o efetivo da Santa Casa está paralisado em protesto ao atraso no salário.

“A informação que temos da direção da Santa Casa é que o poder público não fez o repasse. O hospital é privado, mas depende dos recursos que são públicos. O sistema é tripartite, uma parte vem do Ministério da Saúde, outra do Estado e outra da prefeitura, mas a gestão plena é do município, ou seja, é a prefeitura que faz o repasse, e até o momento não temos nenhuma previsão. Não há nenhum risco aos pacientes; a paralisação é de 50% do efetivo para garantir a assistência. Assim que pagar imediatamente voltamos ao trabalho”, explica o presidente.

Gussi ainda relembra que essa não é a primeira vez que a unidade hospitalar passa pela mesma situação e que o atraso no salário não afeta apenas enfermeiros. São 1.500 profissionais sindicalizados que se dividem entre fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, copa, cozinha, lavanderia, segurança e informação.

“Isso já é recorrente, estamos aqui porque atrasou o pagamento da competência de maio, essa é uma pauta única que tem o apoio de todos os trabalhadores”, relata o presidente.

Representando os profissionais de enfermagem e técnicos, Maria Neusa Santana, enfermeira e diretora do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), conta também sobre profissionais afastados do hospital por problemas de saúde, principalmente saúde mental. Ao todo, segundo ela, são 1600 trabalhadores sindicalizados ao Siems; desse total, cerca de 400 estão fora do posto de trabalho por estarem doentes.

“É uma dificuldade, pois trabalhadores são muito prejudicados. Nós trabalhamos aguardando salário no final do mês e por ser uma verba alimentícia, eles precisam receber o salário para pagar suas contas, seus compromissos. Todos aguardam quinto dia útil sempre, mas esse atraso está ocorrendo todo mês. No total, esta casa tem quase 4 mil funcionários e a falta de pagamento atinge todos os setores”, explica.

A Santa Casa foi procurada pelo Jornal Midiamax para esclarecer sobre essa paralisação e o atraso no pagamento de toda a folha de efetivos da unidade.

Em nota, o hospital disse que “Até o momento, o pagamento dos salários não pôde ser realizado em razão do atraso no pagamento das competências do Estado, Município e do Governo Federal às contas da Santa Casa. Estamos em diálogo constante com os órgãos responsáveis e adotando todas as medidas cabíveis para solucionar a pendência o quanto antes. Assim que houver a regularização, os pagamentos serão imediatamente efetuados.”

Por outro lado, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que “O Estado mantém regularidade nos
repasses à Santa Casa de Campo Grande, estando adimplente e cumprindo integralmente as obrigações previstas no contrato vigente”.

Procurados para esclarecer sobre o atraso nos repasses à instituição, a Prefeitura de Campo Grande e o Ministério da Saúde não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

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