A chegada de um novo episódio de El Niño coloca Mato Grosso do Sul em estado de atenção não apenas pelas possíveis alterações no regime de chuvas e nas temperaturas, mas também pelos impactos que as condições climáticas podem provocar na saúde da população. Diante do cenário previsto para os próximos meses, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforça a necessidade de preparação dos serviços e de adoção de medidas preventivas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar mudanças nos padrões de temperatura e precipitação. Em Mato Grosso do Sul, os efeitos do fenômeno não são uniformes e dependem também da atuação de outros sistemas atmosféricos. Para os próximos meses, entretanto, há previsão de temperaturas acima da média e possibilidade de períodos de estiagem e maior risco de queimadas.

Conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), por meio da Vigilância em Saúde e do CIEVS-CG, está acompanhando os possíveis efeitos do fenômeno e seus impactos sobre a saúde da população. Neste momento, as ações estão concentradas no monitoramento dos eventos climáticos e dos agravos relacionados, na avaliação dos riscos e no planejamento das medidas de prevenção e resposta. A Sesau também mantém planos de contingência para eventos como seca, estiagem, incêndios e chuvas intensas. Entre os sinais que merecem atenção estão falta de ar e piora de sintomas respiratórios, sinais de desidratação, insolação, queimaduras e intoxicações decorrentes da exposição à fumaça. Em caso de sintomas ou agravamento do quadro, a orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde.

A rede municipal também está sendo preparada para eventual aumento da demanda, com monitoramento de alertas, avaliação da capacidade dos serviços, estoques e recursos, além do fortalecimento da articulação com órgãos como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), a probabilidade de ocorrência e intensificação do El Niño aumenta ao longo do segundo semestre de 2026. O cenário pode favorecer ondas de calor, principalmente durante a primavera e o início do verão.

Calor e fumaça preocupam autoridades de saúde

Segundo a SES, condições climáticas extremas podem repercutir diretamente na saúde da população. Entre os principais fatores de preocupação estão as **temperaturas elevadas, estiagens, queimadas e chuvas intensas.

Em períodos de baixa qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas, cresce a preocupação com doenças respiratórias. A exposição à fumaça também pode agravar problemas cardiovasculares e respiratórios, especialmente entre pessoas mais vulneráveis. O Ministério da Saúde destaca que partículas finas presentes na fumaça podem penetrar profundamente no sistema respiratório.

O calor intenso também aumenta o risco de desidratação, enquanto períodos de chuvas fortes podem favorecer a ocorrência de doenças relacionadas à água.

Dengue e chikungunya também entram no radar

Outro ponto destacado pela Secretaria é o comportamento das arboviroses, como dengue e chikungunya. Segundo a SES, as condições ambientais podem alterar a dinâmica de transmissão dessas doenças, tornando necessário manter a vigilância mesmo durante períodos de seca.

A orientação é que a população continue eliminando possíveis criadouros do Aedes aegypti dentro de casa, nos locais de trabalho e em áreas externas.

A prevenção não deve ser interrompida durante a estiagem. Isso porque os ovos do mosquito podem permanecer em recipientes secos e voltar ao ciclo quando entram em contato com água.

Pessoas que apresentarem febre, dor de cabeça, dores no corpo ou nas articulações, mal-estar ou outros sintomas persistentes devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. A SES também orienta que a população evite a automedicação.

A preparação para os efeitos do El Niño já mobiliza a estrutura de saúde de Mato Grosso do Sul. O Estado iniciou capacitações nas nove regiões de saúde, com integração entre diferentes áreas e revisão dos planos de contingência para situações relacionadas a ondas de calor, estiagens, queimadas, chuvas intensas e alterações no comportamento de doenças.

Entre os setores envolvidos estão a Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, Atenção Primária, Rede de Urgência e Emergência, Vigilância Hospitalar, Saúde Única e Saúde Indígena.

A estratégia segue uma preparação nacional para o El Niño 2026-2027. O Ministério da Saúde aponta uma janela crítica entre outubro de 2026 e março de 2027 e prevê diferentes impactos regionais, incluindo seca, estiagem e queimadas no Centro-Oeste.

Quem precisa de mais atenção

Entre os grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno estão crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou deficiência. Também precisam de atenção especial pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e trabalhadores que permanecem expostos ao calor ou à fumaça das queimadas.

Para a SES, a preparação antecipada permite que os serviços avaliem estruturas, fluxos e capacidade de atendimento, garantindo uma resposta mais organizada diante de possíveis eventos climáticos extremos.

Orientações da SES

A Secretaria recomenda que a população:

* evite a exposição à fumaça das queimadas;
* mantenha os ambientes ventilados sempre que possível;
* aumente a hidratação durante períodos de calor;
* mantenha cuidados contínuos contra o *Aedes aegypti*;
* elimine recipientes que possam acumular água;
* procure atendimento médico diante de sintomas persistentes;
* evite a automedicação.

A preocupação com os efeitos do clima sobre a saúde ocorre em um momento de preparação para um El Niño que, segundo os órgãos de monitoramento, pode se intensificar nos próximos meses. No último boletim do Cemaden, a previsão para setembro a novembro aponta temperaturas acima da média em grande parte do país e condições que podem favorecer a ocorrência de incêndios em áreas mais secas.

Por Ian Netto

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