Plataformas digitais ganham peso nas estratégias de comunicação e mobilização política no Estado

As redes sociais vêm ocupando um espaço cada vez mais relevante nas estratégias de comunicação política, permitindo que partidos e lideranças ampliem seu alcance, fortaleçam a presença pública e estabeleçam canais diretos de diálogo com o eleitorado. Com a popularização das plataformas digitais, a produção de conteúdo passou a desempenhar papel importante na divulgação de posicionamentos e na construção de imagem política.

Em Mato Grosso do Sul, esse cenário tem sido observado principalmente entre partidos com menor representação institucional e lideranças sem histórico de mandatos eletivos. Para ampliar a visibilidade e atrair apoiadores, essas siglas têm investido em vídeos curtos, transmissões ao vivo, conteúdos de opinião e outras formas de interação digital, utilizando as redes sociais como ferramenta de mobilização e fortalecimento partidário.

Entre os exemplos está o Partido Missão, criado a partir de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). Com pouco mais de seis meses de existência e sem mandatos eletivos no Estado, a legenda aposta na internet para ampliar sua presença e divulgar suas propostas.

Segundo o presidente estadual do partido, Lucas dos Santos Serafim, a comunicação digital acompanha a trajetória do grupo desde antes da criação da sigla.

“Missão surge dentro do MBL, um movimento político com 12 anos de existência, que foi o principal grupo nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e que, após isso, seguiu pautando assuntos relevantes na política nacional. Como é um partido que surge do grupo, naturalmente está em MS, porque o grupo sempre esteve presente no Estado”, afirmou.

A legenda tem utilizado as plataformas para divulgar conteúdos, apresentar pré-candidatos e mobilizar apoiadores. Recentemente, promoveu um adesivaço nacional de filiação realizado simultaneamente em diversas cidades brasileiras. Em Mato Grosso do Sul, as ações ocorreram em Campo Grande e Dourados.

“Fizemos essa mobilização para aproximar das ruas as pessoas que já acompanham nosso trabalho pelas redes sociais. Em MS, realizamos ações em duas cidades e superamos as expectativas”, relatou.

A estratégia também busca converter a audiência conquistada no ambiente digital em participação política efetiva. Para Lucas, a internet se tornou uma ferramenta indispensável para quem pretende disputar eleições.

“Acredito que a internet seja a principal ferramenta de qualquer pré-candidato hoje. No Missão não será diferente, já que foi nela que ocorreram todas as nossas grandes mobilizações”, declarou.

Ao mesmo tempo, o dirigente reconhece os desafios enfrentados por uma legenda recém-criada para conquistar espaço em um cenário político dominado por grupos já consolidados.

“Nosso Estado é muito controlado por esses grupos, mas o partido surgiu exatamente para romper com esses ciclos. Acredito que, trabalhando a base, conversando com apoiadores nas cidades, olhando para as particularidades de cada município, falando sobre os problemas e levando soluções específicas, vamos conseguir levar nossas ideias ao maior número possível de pessoas”, afirmou.

Outra legenda que utiliza as plataformas digitais para fortalecer sua atuação é o Partido Novo. Embora tenha maior estrutura nacional, o partido possui representação limitada em Mato Grosso do Sul, com dois vereadores eleitos, Gabriel Leal, em Inocência, e Cassiano Dutra Cardozo, em Amambai.

De acordo com o presidente estadual da sigla, Luis Augusto Lima Scarpanti, as redes sociais funcionam como uma ferramenta para divulgar as propostas e os princípios defendidos pelo partido.

“O partido usa as redes sociais para mostrar seus valores, seus princípios e suas práticas. Utilizamos essas plataformas como uma forma de divulgar nosso trabalho e nossos diferenciais, para que as pessoas possam identificar que o Partido Novo defende pautas como liberdade, livre mercado, propriedade privada, igualdade de direitos e deveres, além do combate à corrupção, aos privilégios na vida pública e à impunidade.”, afirmou.

Segundo Scarpanti, o objetivo da estratégia digital vai além do alcance das publicações e busca transformar simpatizantes em participantes ativos da vida partidária.

“A gente busca transformar o engajamento nas redes sociais em participação política efetiva. Isso acontece quando conseguimos converter apoiadores e simpatizantes em filiados. A partir da filiação, a pessoa pode se tornar candidata ou exercer um mandato. Nosso objetivo é justamente fazer essa transformação: quando alguém decide se filiar ao Novo, entendemos que a missão proposta na internet e nas redes sociais foi cumprida”, explicou.

Apesar da crescente presença das plataformas digitais no debate público, o dirigente avalia que elas convivem com formas mais tradicionais de atuação política.

“As redes sociais oferecem um caminho alternativo para a comunicação política, mas não acredito que tenham mudado a forma de fazer política em Mato Grosso do Sul. Na minha avaliação, a política tradicional ainda exerce mais influência do que a atuação nas plataformas digitais.”, ponderou.

Scarpanti também destaca o papel de lideranças com forte presença digital para ampliar o alcance das mensagens partidárias. Como exemplo, cita o deputado estadual João Henrique Catan, apontado como pré-candidato ao Governo do Estado.

“O João Henrique Catan tem grande facilidade de comunicação nas redes sociais e consegue utilizar essas plataformas de forma muito eficiente. Com isso, alcança públicos que, muitas vezes, o próprio partido teria dificuldade de atingir. Por isso, a presença digital do nosso pré-candidato ao governo é fundamental, tanto para fortalecer sua pré-campanha quanto para ampliar a divulgação do Novo.”, afirmou.

Novas Lideraças

Além dos partidos, as redes sociais também têm servido de espaço para o surgimento de novas lideranças políticas. Um exemplo é o economista Renato Gomes, pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo Democracia Cristã (DC).

Sem histórico de candidaturas anteriores, Renato utiliza as plataformas para comentar temas relacionados à economia, gestão pública e assuntos de interesse estadual. Por meio de vídeos e análises publicadas na internet, busca construir visibilidade e dialogar diretamente com o público, estratégia cada vez mais comum entre nomes que tentam ingressar na política institucional.

Para o presidente estadual da sigla, Edilson Vieira, as plataformas digitais ampliaram as possibilidades de participação no debate público e abriram espaço para o surgimento de novas lideranças.

“As plataformas digitais democratizaram o acesso ao debate público e criaram oportunidades para que novas lideranças apresentem suas ideias e trajetórias à sociedade. No caso de Renato Gomes, as redes têm sido um espaço para compartilhar sua experiência profissional, sua visão sobre desenvolvimento econômico e sua contribuição para discussões relevantes para Mato Grosso do Sul. Mais do que ampliar visibilidade, as plataformas permitem construir uma relação de diálogo e proximidade com a população, algo cada vez mais importante na vida pública”, afirmou.

O cenário reflete uma mudança nas formas de comunicação política. Se antes a divulgação de propostas dependia principalmente de eventos presenciais, programas partidários e cobertura da imprensa, hoje partidos e lideranças contam com ferramentas que permitem contato direto com os eleitores, alcance imediato e interação constante.

Embora não substituam as formas tradicionais de fazer campanha, as redes sociais passaram a ocupar um papel estratégico na construção de imagem, na mobilização de apoiadores e na difusão de ideias. Para partidos menores e novas lideranças, elas representam uma oportunidade de ampliar visibilidade e disputar espaço no debate público em um ambiente político cada vez mais conectado.

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