
Enquanto projeto quer dar mais transparência às filas da saúde, pacientes recorrem a consultas e exames com preços reduzidos ou gratuitos
Foi protocolado na última quinta-feira (16) na ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) um projeto de lei que pretende dar mais transparência às filas de regulação do SUS (Sistema Único de Saúde). A proposta prevê que pacientes possam acompanhar o andamento de consultas, exames, cirurgias e internações por meio de um painel eletrônico atualizado periodicamente. A iniciativa surge em meio a uma realidade conhecida por quem depende da rede pública, com demora por atendimento, falta de profissionais e até mesmo ausência de insumos básicos.
No interior do Estado e em Campo Grande, essa demora tem levado parte da população a buscar alternativas nas chamadas clínicas populares, que oferecem consultas e exames por valores abaixo dos praticados no mercado. Em alguns casos, instituições também disponibilizam atendimentos gratuitos.
No Hospital Evangélico, na Vila Sobrinho, a procura tem sido constante. A unidade realiza consultas com especialistas, exames laboratoriais, ultrassonografia, ressonância magnética, raio-X, endoscopia e colonoscopia, entre outros procedimentos. As consultas custam entre R$150 e R$220, conforme a especialidade.

Foto: Divulgação
Segundo o tesoureiro do hospital, Jessé Fernando Ribeiro, cerca de 300 pessoas passam diariamente pela unidade buscando desde consultas até exames. “A maior parte das especialidades funciona por livre demanda. O paciente chega, faz a consulta e, se houver necessidade, consegue realizar os exames no mesmo dia. Nosso objetivo é trabalhar com uma tabela social e manter os valores mais acessíveis”, afirma.
Foi justamente pela rapidez que a técnica de enfermagem Catalina Ovando, de 51 anos, decidiu procurar atendimento na unidade. Em tratamento por problemas na coluna, ela conta que não conseguiu esperar pelo SUS. “O SUS demora muito. Alguns exames eu resolvi fazer aqui porque o preço cabe no bolso e o atendimento acontece bem mais rápido”, diz.
Moradora de Alvorada do Sul, Aparecida Barbosa de Oliveira, de 60 anos, conheceu o hospital quando precisou fazer uma ressonância magnética. Desde então, voltou outras vezes para consultas e exames. “Estávamos procurando um lugar mais em conta. Nos encontramos aqui, fomos bem atendidos e continuei fazendo meus exames”, relata.

Foto: Cayo Cruz
Atendimento acessível
Outra alternativa encontrada por quem busca atendimento fora da rede pública é a clínica Anjos da Saúde, que mantém unidades no Aero Rancho, Centro e Nova Lima. Na unidade central são oferecidas consultas médicas em diversas especialidades e exames de ultrassonografia.
De acordo com a supervisora de recepção, Ana Cristina Serpa, as consultas variam entre R$100 e R$190, dependendo da especialidade. “Hoje há consultas particulares que chegam perto de mil reais. Aqui conseguimos oferecer valores bem menores, sempre com profissionais habilitados e registrados”, afirma.
Segundo ela, a maior parte dos atendimentos ocorre mediante agendamento, mas alguns médicos aceitam encaixes conforme a disponibilidade. Somente a unidade do Centro realiza mais de 500 atendimentos por semana. “A maioria dos exames é feita rapidamente e, em muitos casos, o paciente já sai com o resultado para retornar ao médico. Isso acaba reduzindo bastante o tempo de espera”, explica.
Além das clínicas populares, Campo Grande também conta com atendimentos gratuitos oferecidos pela Afya Educação Médica. Desde dezembro de 2025, quando iniciou as atividades na Capital, a instituição realiza consultas e exames como parte da formação prática de médicos que cursam pós-graduação.
Hoje são oferecidos atendimentos em dermatologia, pediatria, psiquiatria, endocrinologia, clínica da dor e ultrassonografia, todos sem cobrança.
Segundo a diretora interina da Afya Educação Médica, Michelle da Rosa, os atendimentos são realizados por médicos regularmente inscritos no CRM (Conselho Regional de Medicina), sempre supervisionados por especialistas. “O objetivo é ampliar o acesso da população a consultas especializadas gratuitas e, ao mesmo tempo, proporcionar aos médicos uma formação prática qualificada”, afirma.
Os atendimentos são agendados de forma online e não exigem encaminhamento médico. A instituição realiza, em média, 60 consultas e exames por mês.
Fiscalização
O CRM-MS informou ao Jornal O Estado que todas as clínicas registradas passam por fiscalização antes de iniciar as atividades. A vistoria verifica as condições estruturais da unidade e se os profissionais responsáveis possuem habilitação para exercer as especialidades oferecidas. Somente após atender às exigências é autorizado o funcionamento.
Por Biel Gill
